Empoderamento Crespo: Ninguém vai calar

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—- A ditadura do cabelo liso me atingiu ainda quando criança. Branca, loira de olhos claros, aquele cabelo “rebelde” não combinava comigo, “ é coisa de preto” diziam parentes, amigos e cabeleiros. Então, aos 12 anos dei minha primeira progressiva, e ganhei uma irmãzinha negra, essa segundo acontecimento fez toda a diferença. Quando ela estava para completar seus 6 anos me pediu uma Barbie “Mas tem que ser branquinha   loira magra e de cabelo liso!” disse ela empolgada, quando perguntei o por que meu coração foi ao chão “ por que só a barbie assim é barbie de verdade, bonita”. Nesse momento me veio a mente todos os preconceitos que ela poderia sofrer de um modo que eu nunca entenderia, ela além de cacheada é negra, e na Barbie via um padrão de beleza . Me senti hipócrita, dizia a ela veementemente o quanto seus cachos e toda a sua beleza são lindas, mas alisava os meus buscando estar dentro de um padrão. A partir desse dia parei de pranchar meu cabelo, por mim e pela minha irmã que ainda ouvirá na vida que o que ela é e faz “é coisa de preto” como se devesse se envergonhar de si.

Eu não sou a protagonista do movimento de empoderamento crespo e cacheado, e nem pretendo ser, mas acho que devo como humana, feminista e branca, devo ajudar como posso os outros movimentos a terem mais voz, reconhecendo meu lugar e meus privilégios em cada espaço. Essa matéria traz depoimentos de várias pessoas que se empoderaram dentro da ditadura do cabelo liso e da sociedade. Ia postar essa matéria em novembro devido ao novembro negro, mas percebi que é necessário dar voz em todos os momentos, não apenas em datas comemorativas e simbólicas.

Precisamos falar sobre preconceito, sobre privilégios, sobre apropriação cultural, sobre racismo, sobre o mito da meritocracia, sobre dívidas históricas que se estendem sem data de validade e muitas outras coisas. Precisamos nos calar um pouco para ouvir o próximo, para que outros também tenham voz.

Vários dos depoimentos aqui citados são da página no Facebook “Meu crespo”, confiram ela é curtam por que a proposta e linda e vale muito apena ser conhecida e compartilhada.

HISAN SILVA
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”Eu sempre quis alguém para me dar forças, alguém que me fizesse sentir em casa, alguém que eu me identificasse. Cresci sabendo que meu tipo de cabelo não foi feito para crescer, cresci aprendendo a menosprezar o que eu tinha e os similares ao meu. Sempre achei agressivo demais o ato de cortar o cabelo onde eu moro, sentava nas cadeiras de espera com filas enormes e já olhava o cabeleireiro com medo, eu sabia que ele pegaria minha cabeça como uma bola de futebol, jogaria para um lado e passaria aquele motor quente contra minha cabeça com toda força até ela parecer realmente com uma bola de futebol, pelada, agredida. Minha mãe sempre deixou a sementinha em minha mente incentivando que eu o deixasse crescer, mas como não morava com ela, sempre que chegava em casa, tudo que ela tinha tentado construir se dissipava.

* Minha mãe foi e é mais uma vítima do sistema, mulher, negra, militante.Vivo com a cicatriz de ter perdido a minha mãe para o sistema quando pequeno, de ouvir as histórias brancas de que ela ”me largou”, ”abandonou pequeno”, e cresci a culpando, mas em tudo via a voz de minha mãe, tentando explicar para uma pequena criança preta que iria e está enfrentando os pesos do mundo, que não é fácil ser mulher preta, e que o amor que ela me tinha era o que a fazia lutar. Sempre era cortado quando refletia sobre minha mãe, sobre o que ela queria dizer e o que isso significava, uma criança preta que já sonhava com a realidade. Minha mãe teve nas costas a opção de abandonar sua cria ou afundar com ela, e escolheu dos males o pior, perder a educação de seu filho, não poder ver seu filho mamar dos seus seios, não ter seu filho em suas costas, perdeu tardes irrevogáveis, perdeu em ver sua cria aprendendo andar de bicicleta, ela abriu mão de sua felicidade, dessa felicidade pela sobrevivência, sua e de sua cria. Ela sabia que ter sua criança em outros braços significaria a falta de reconhecimento no futuro, significaria que seu ventre ocupado durante 8 meses Poderia ser sua unica ligação com seu filho.*

Quando o cabeleireiro de minha rua viajou e passou três semanas fora, foi o tempo que eu tive para deixar meu cabelo respirar, o deixei crescer durante esse tempo. Com duas semanas de crescimento, uma garota da minha série ( 4 ano do fundamental) e sala de uma escola particular extremamente elitizada, disse que meu cabelo parecia uma bucha, e se juntou com outra coleguinha e as duas alegravam-se em dizer que meu cabelo tinha piolho por ser como era, por impulso de uma criança acanhada, joguei macarrão nos seus cabelos e corri. Em casa, depois de alguns dias, minha vó forçou-me a ir na casa de meu pai para que ele cortasse o pouco cabelo que tinha crescido. Foi uma tortura, eu implorava para não cortar mas no final cheguei em casa e me olhei no espelho, feito uma bola de futebol, mas agora com algo mais, queimaduras de maquina no rosto para aprender que meu cabelo é para ser raspado.

Minha mãe, após isso e sem ter muito mais o que fazer, continuou me incentivando a deixa-lo crescer.

No primeiro ano de ensino médio, com um pouco mais de maturidade e voz, resolvi enrolar minha vó e deixar meu cabelo crescer por mais um tempo, mas em minha escola em que, dos poucos negros que tinham, todos alisavam o cabelo e afirmavam que aquilo era o certo e o meu era horrível e assustador, resolvi voltar a raspar.

No segundo ano de ensino médio, logo no início, sofri o primeiro ato consciente de racismo, apontaram o dedo e minimizaram eu e outros negros com piadas de cor. Não entendi o porque de ser engraçado dizer que meu colega sumia no escuro, também não entendia porque minha cor boiava na água. Pouco depois minha colega colocou tranças e diversas piadas foram agora direcionadas a ela. Medusa, assim como também chamavam. O ápice e para mim o momento decisivo para o empoderamento foi quando se direcionaram a mim e vomitaram :” Filhote de macumba”. A partir dali eu sabia onde eu tava pisando, a partir dali eu sabia o motivo do meu cabelo ter que ser sempre uma bola de futebol, o motivo de ser tão engraçado fazer piada com os poucos mais que 5 negros na sala de 50 pessoas. Conversei com minha mãe, que na época tinha começado seu mestrado sobre ”Cadernos pedagógicos do Ilê Aiyê”, ela prometeu conversar junto a mim com minha vó. A resposta dela foi negativa, mas meus 16 anos e voz me fizeram bater o pé no chão e gritar : ”Eu vou deixar crescer sim, o cabelo é meu, está na minha cabeça, está sobre meu poder e sou eu quem vou decidir sobre ele”. Cresceu, as piadas já eram esperadas, mas as respostas a elas também, em casa minha vó dizia que ”quando você dormir, eu raspo com você dormindo”, dormia com um olho aberto e outro fechado, até que um dia a peguei próximo a mim com uma tesoura, levantei, olhei para ela e disse: ”se você cortar, eu deixo crescer novamente”, quando reclamava de dor de cabeça, ela me olhava e dizia ”é esse cabelo”, quando me faltava dinheiro para comprar creme ou xampu, e eu a pedia dinheiro, quando ela sabia seu fim, ela dizia ”se vire”, mas ele continuou firme e forte, junto a mim. Só a mim, me apoiando sozinho.

Meu cabelo tinha deixado de ser algo estético, tinha se tornado minha bandeira de resistência,e a cada fio que crescia, crescia junto o empoderamento do menino preto.

No terceiro ano, já grande, tanto meu cabelo como empoderamento e vontade de problematizar sobre o sistema branco em que vivia, bati o pé diversas vezes. Quando escrevi meu primeiro texto público sobre racismo, fui atacado por colegas de classe, chamado de macaco e outros adjetivos clássicos racistas. Os educadores que faziam o papel de ”justiça” deixaram passar, apenas pontuando algumas coisinhas com os agressores. Impunidade. Minha colega de classe foi mandada calar a boca e ”fazer acarajé”. Impunidade novamente. Coloquei a boca no trombone novamente e foi silencio total, exceto pelos negros já empoderados que conheci por causa disso. Me ajudaram e educaram para marcar meu território, a nos unir e não nos deixar baixar a cabeça. Dessa dor que nos colocou para lutar essa página surgiu. Fundei a página com ajuda do Felipe e outros com um só intuito e pensamento : ”vamos nos unir”, essa é nossa hora de nos fortalecer e fortalecer quem pudermos tocar. Na minha escola, fortaleci quem eu pude fortalecer e ao lado de outros conscientes, lutadores da mesma e outras lutas, fizemos nossa primeira intervenção, mostramos que estávamos ali e eles iam ter que respeitar, fizemos outra intervenção, e mais, e mais, e dali eu vi que existiam muitas histórias, histórias que se eu tivesse ouvido antes teriam me fortalecido, histórias que chocam, emocionam e fortalecem, histórias de pessoas que abraçava todos os dias mas não sabia da luta, dali eu vi que minha página, como forma de empoderamento, também usaria como ferramenta as histórias. Mais de 100 histórias foram contadas, e milhares de negros empoderados. Diversos negros dentro da minha própria escola fortalecidos com essas histórias, contaram também suas histórias. Hoje são mais de 3000 seguidores de histórias. E na minha escola, lá agora conseguimos fundar um núcleo de estudo e intervenção sobre minorias sociais (NEIMS), criados por nós, alunos e com o apoio da escola. O primeiro ato desse núcleo foi criar um mês sobre minorias sociais com palestras e apresentações diversas.Sobre racismo, primeira semana, minha mãe estava no palco com o microfone falando sobre o assunto que ela passou anos sem saber contar diretamente para seu filho, mas que por causa dela também, a força brotou nele.”

BRUNA MARCONI
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“Foi em agosto de 2015 que decidi colocar tranças no cabelo e fazer transição capilar e essa escolha muda tudo dentro de você, sua auto estima, sua aparência, é um momento que considero delicado, principalmente para quem passou a vida quase que toda alisando o cabelo como eu. Vencer a ditadura do cabelo liso foi até fácil para o que veio depois da transição e BC, pois há a ditadura dos cabelos cacheados perfeitos, e isso para uma garota em transição é péssimo. Criei expectativas de cachos que não são do meu cabelo e ainda não sei como lidar com isso. Além disso é muito difícil ter que ouvir de terceiros o que você deve ou não fazer, se devo continuar com tranças ou não. Eu me apaixonei pela versatilidade que as tranças me dão e as pessoas simplesmente não respeitam meu momento de transição. Por mais que já tenha feito BC eu ainda me considero em transição, só terei completado essa fase quando eu aceitar inteiramente meu cabelo e o tipo de crespo que ele é.”

Não esqueçam de conferir o Blog da Bruna Marconi onde vocês encontraram variasss dicas e inspirações de moda e podem saber sobre o processo das lindas box braids dela.

AMANDA MOTA 
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”Cabelo crespo é fácil de ser aceito?
Você acha que não tem uma luta em cada cabelo crespo ao ser assumido?
Me desculpa te falar mas isso está muito errado. Sou Amanda, tenho 15 anos e te digo: se hoje estou criando meu cabelo, se hoje eu aceito ele do jeitinho que é, foi graças ao empoderamento das minhas “irmãs”.
Minha família nunca aceitou, minha família sempre achou cabelo cacheado lindo, maravilhoso, portanto que fosse baixo e definido.
Até que um tempo eu caia nessa, pra mim, somente cabelo definido era considerado bonito. Mas aí é que está, me enganei completamente.
Aceitação do meu cabelo, da minha raiz não demorou tanto tempo quanto eu imaginava. Conheci umas meninas maravilhosas que foi me ajudando diante a isso, que me ensinaram que cabelo com frizz, que cabelo armado também são bonitos!
No papel tudo é fácil né? Pra por em pratica?
Ahhhhhh, isso foi complicado.
No início toda minha família achava que eu estava desgostosa e o único que me apoiava era meu pai, quer dizer, apoio apoio não…Mas tudo pra ele era bonito.
Minha mãe mandava eu molhar, mas eu sempre dizia: “mãe, eu tô me sentindo bem, tô me achando linda” (Mesmo ficando mal com os comentários alheios)
Até que as irmãs continuaram me dando força e mais força, ao sair com meu cabelo todo bagunçado, muitos elogiavam e isso aumentava meu auto estima. E daí então eu deixei meu cabelo livre. Ele pode ficar volumoso o quanto quiser, até porque, quanto mais volume, melhor né, meu amor?!
Então é isso, finalizo essa minha história falando:
Nosso cabelo é lindo, não importa a estrutura, não importa a quantidade de frizz, não importa se estiver sem definição, ELE É LINDO! <3"

MARCELLO LENON
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”Desde pequeno sempre costumava deixar meu cabelo grande , isso sempre foi normal pra mim. Mas no ao longo dos meu 9/10 anos isso foi mudando e eu passei a ouvir bastantes coisas a respeito do meu cabelo , eram perguntas como “Por que que você não corta?” ou “Nossa, deve ser difícil de pentear! ” até mesmo “Parece que está sujo”.
Comentários como esses para uma criança com menos de 10 anos me causavam muita agonia interna, chegando até mesmo a acreditar nas coisas que eram ditas. Quando entrei na adolescência a cena começa a mudar, os ataques a minha auto estima começam a aumentar e o insolamento acontece. Devido a vontade em ser aceito, em está naquele meio, aquelas pessoas. Daí começo a usar alisantes e passei por vários desde a famosa guanidina ao alisamento com ferro automático. Mas eu nunca me sentia bem com aquilo, eu vi que estava num padrão que não era pra mim, um grupo que não era o meu. Depois de bastante tempo sendo passivo a esses ‘padrões bancos’, cansei. Há algum tempo atras li uma matéria no AfroPunk que me fez mudar totalmente de ideia e parei com os alisamentos e as loucuras que eu fazia para deixar liso. Raspei meu cabelo todo e desde então venho com ele Como deve ser CRESPO e que isso além de mostrar minhas origens me posiciona nessa sociedade lastimavèl.”

HELEN MOZÃO

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“Quando pequena na escola percebia q n sofria tanto quando minhas amgs,  eu tinha o fio do cabelo mais fino, mas ainda assim n podia usar o cabelo como queria pelo enorme volume, minha mãe smp me dizia q meu cabelo precisava esta preso.   Depois de um  tempo minha mãe decidiu junto comigo em alisar o cabelo, então fiquei super feliz , pq meu cabelo erra mto cacheado e n conseguia q ele definisse e nem conseguia ver o comprimento q ele estava pq encolhia td. Mas a busca pela tal perfeição dos cachos  ( busca essas q eu tinha através das referência que a mídia me dava) não me trouxe êxito nem me saciou, pois meu cabelo caiu e assim q ele recuperou eu busquei a progressiva. Lembro q passava horas no salão, o rosto com mascara, os olhos lacrimejando, a porta do salão aberta, o cabeleireiro tbm de máscara e logo depois de td isso eu sofria com a quentura da prancha , após td isso vinha as descamações do produto q ficava durante três dias na cabeça. Fiquei nessa quase dois ano, e me achava feliz em ver o tamanho do meu cabelo e achar q ele liso estaria bem tratado, e ate pq ouvia as pessoas dizerem q eu estava elegante, ate parecia q meu cabelo era liso,rs!  Problema era qd a raiz comessava a crescer, parecia q meu cabelo era mas crespo e isso me matava, ver aquela raiz totalmente diferente das pontas fazia eu n sair de casa, eu me sentir de autoestima baixa, ficava louca p poder alisar aquela terrível raiz. Ate q um dia eu me dei conta do quanto q eu gastava e do quanto o meu cabelo caia, e do quanto estava vazio  e ai decidir deixa ele começar a crescer natural, digo com td certeza q a transição é a pior parte, e  nesse época n se dava esse nome, sei que fiquei três meses sem dar nada no cabelo  e em um belo dia fui ao mesmo cabeleireiro q alisava p cortar td, só deixar o q me pertencia. Enfim cortei pequeno e logo surgiram as indignações alheias, e eu simplesmente amei, deixei ele ficar um black bem bonito e depois cortei v.o, e depois pelei, e depois deixei Black, e depois coloquei tranças, e depois fiz undercut, e depois raspei, e é como estou agora, ainda continuo relacionando meu cabelo com produtos químicos, que são as pintura e descoloração, mas hj sou consciente  e busco n entrar em ditaduras . Pq o problema n é vc alisar, não é vc pintar, é vc se torna escravo e n busca o real sentindo de estar fazendo aquilo. Hj, olho e  digo q a minha parecia, o meu visual é uma das  formas que encontrei de resistência, td tem um sentindo.  Eu fico mto feliz em ver meninos e meninas, entendendo seu cabelo, mas em contra partida fico triste é ver q a mídia ainda alimenta mto a perfeição dos cachos, as definições do cabelo crespo , a tentativa dos cosmético em inventar produtos loucos p um único tipo de cabelo rotulado como cacheado, sendo q existe varias texturas do cabelo cresco, n consigo ver em nenhum desse produtos uma menina negra de cabelo crespo sem definição, isso fode com td, e assim as própria manas do movimento começm a brigar sobre o que é ser Black Power, o que é ser crespo, isso me ferra, pq ai acabamos voltamos p a mesma ditadura, acredito q temos q entender q cada um tem as suas particularidades quanto a textura de seus cabelos, mas q precisamos nos unir quanto resistência pela nossa origem, para q as futuras gerações consigam se amar independente de qualquer padronização. Pq o ser q é real é livre!”

Confiram a Page da Helen, os ensaios dela são maravilhosos e ela tirou várias fotos da marcha do emponderamento crespo em Salvador!

JAYNA MARQUES

“Salvador é a cidade mais negra do Brasil e isso foi confirmado em 2011 pelo IBGE. Bem, sou soteropolitana e como mais ou menos 80% da população que reside nessa cidade, sou negra. É desconfortável perceber que um padrão de beleza europeu existe num país miscigenado como esse e é agonizante saber que ele é atuante aqui, na cidade mais negra fora do continente africano. Mas como boa parcela dos soteropolitanos não podem mudar sua cor de pele para se tornarem bonitos em relação ao padrão, as mulheres, em geral, alisam o cabelo e os homens raspam o cabelo porque cresceram ouvindo que cabelo de negão é raspado. A partir dessa construção social, analisemos então minha vida.
Desde que me entendo por gente, estudo em escola particular e, como muitos sabem, há uma porcentagem esmagadora de estudantes brancos nessas escolas. Entrei numa escola particular com 1 ano e só sai dela com 10, mas de 1 ano até os 5 anos de idade usava meu cabelo natural com tranças ou qualquer outro penteado, contudo comecei a perceber no cabelo das minhas amigas e me questionava o porquê do meu tipo capilar não gerar balanços quando o vento batia e inúmeras outras questões. Depois disso foi rápido para eu implorar para alisar e seguir nisso por 10 anos. A ditadura do cabelo liso existe a partir do momento que crescemos sendo educados a achar o liso mais bonito que o crespo e o cacheado. A ditadura do cabelo liso existe a partir do momento que uma garotinha de 6 anos se envergonha do seu cabelo e pede para alisar. A ditadura do cabelo existe por várias outras razões e não é fácil se desfazer disso.
Recentemente fiz meu BC, big chop, e me sinto livre das correntes, aliviada, realizada. Como garota negra precisei de muito empoderamento pra tomar essa decisão porque não foi fácil e eu admito isso, mas se esse for o seu desejo, o realize. Cabelo cresce e é algo simbólico, pois nos formaram para crer que mulher só é bonita com ele grande. Somos lindas de qualquer forma e aposto que com o cabelo natural somos mais ainda. Procure sobre o assunto, tenha por perto amigos que te apoiam e te empoderam, junte sua coragem e seja você mesma! E lembre-se que não fazemos parte de um padrão de beleza e que padrões são desmecedores das nossas lágrimas quando a química faz arder nosso couro cabeludo.”

Vai ter muita sororidade, e se reclamar eu faço outra matéria sobre ❤

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Um pensamento sobre “Empoderamento Crespo: Ninguém vai calar

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