Fernando Cozendey: Estilista

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Fernando é carioca, irônico, ousado, original e criativo. Não existem palavras que descrevam melhor o perfil do estilista. Seu trabalho deixa qualquer amante da moda intrigado. Conheci suas roupas através da Casa de Criadores, ao ver as fotos da coleção de verão 2015 eu fiquei admirada, ele estava desconstruindo os padrões na passarela.

Com a coleção “Ato Fúnebre” em 2011, estreou na Casa de Criadores (um grande evento que divulga e incentiva talentos do universo fashion). Ele já teve suas peças usadas por diversas celebridades e artistas como Mariana Ximenes, Fernanda Lima, Sabrina Sato e Preta Gil. Conheçam mais o trabalho desse cara que se tornou uma grande aposta no mundo da moda e um dos meus estilistas contemporâneos preferidos!


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“A coleção nomeada “O Ato Fúnebre” é composta por dez looks inspirados na cerimônia mortuária (funeral). Tal ato, dentro dos padrões da cultura ocidental, é concebido pela união de dois elementos fundamentais em uma mesma cena: o morto e os seus entes queridos. A morte, ou melhor, o morto, foi transposto aqui através da representação de esqueletos de animais como a águia, o bode, o peixe e o macaco, simbolizando defuntos. Já para representar os amigos e familiares de luto pela morte de um ente querido, fez-se a apropriação de vestuários típicos da alfaiataria, trajes sempre presentes nos enterros tradicionais de nossa cultura. Sendo assim, desenhou-se nas peças ora esqueletos, ora elementos derivados de ternos.”

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A coleção brinca com a sensualidade  (características do estilista) na lycra e mistura figuras felinas a cores quentes chamativas (notem que o primeiro modelo da foto lembra “A pantera cor de rosa!). Todas as peças d dispensam acompanhamento, falam muito por si, e só compõem um visual divertido e erótico com elementos da alta costura!

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O desfile, inspirado no Brasil, trouxe modelos dançando funk carioca. De modo sensual, Fernando recria o beachwear sem ser repetitivo. Abusava mais uma vez de recortes exagerados que deixam a pele à mostra, os babados deram movimento às peças superjustas e o rococó uniu-se incrivelmente ao funk, mesmo sendo referências de “mundos distintos”.  Os tons azuis e o branco foram os mais usados, aparecendo em quase todos os modelos. A lycra aparece bastante, mas dessa vez de forma texturizada com o efeito jeans. Ao fim do desfile, o próprio estilista aparece com uma capa/bandeira que trazia as palavras “comprometimento, respeito e saúde” em um protesto!!

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“É o renascimento da Fênix Fernando Cozendey fala de política a seu modo desde a última temporada, e neste outono-inverno 2015 ele escancara as diferenças e vai das lágrimas de sangue e corações partidos até os corações refeitos, tudo num vermelho que dá ainda mais drama às suas peças em lycra. O estilista entra pela primeira vez na passarela pra ele começar a performance, que fala sobre as dores e delícias de ser diferente. ‘Escolhemos cada um dos modelos. As modelos negras, pessoas normais, que não são modelos, nordestinos, trans, travestis, plus size, uma moça com uma perna mecânica… Só quem é diferente sabe o que sente quando está exposto aos olhares dos outros’, ele conta num tom sério, mas ao mesmo tempo alegre, como é sua moda. É pra ser jovem e exaltar essas diferenças que ele faz as roupas e a plateia sente isso aplaudindo as entradas do casting escolhido a dedo.” – Aurea Calcavecchia

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Se a “Fênix” foi o renascimento, “T” é a evolução. Fernando Cozendey mais uma vez quebra a passarela e os padrões com um show de criatividade e talento. Nesse verão de 2016 o estilista apostou em drag queens e transgêneros como inspiração para a nova coleção. O tema foi explorado nas roupas e na apresentação, que contou como modelo as pessoas que o inspirou. As peças, todas em lycra mais uma vez, alcançam proporções interessantes. Através de recortes estratégicos, maiôs e bodys, todos em tons contrastantes, nudes e pretos, fazem referência à diversidade das relações homoafetivas, cirurgias de transgênero, injeções e pílulas hormonais. E para encerrar o desfile, os looks finais gritam a transformação que cerca o estilista, borboletas em tons fortes laranjas aparecem unidos ao pied-de-poule salientando uma excelência em seu trabalho.

“Foi sem dúvidas um dos desfiles que mais me marcaram, não só na questão estética, mas até então eu nunca tinha notado a questão forte de transfobia e dos processos transgêneros. Estudei, li, conversei com algumas pessoas e quebrei esse “tabu” que eu tinha. Hoje eu vejo um reality show de drag queens e penso: ‘Meu Deus! Como todos eles são lindos, corajosos e criativos!’ sendo bem coloquial – puts, como eu admirei esse trabalho e essas pessoas. São histórias a serem contadas, preconceitos a serem quebrados, questões que devem ser discutidas… A arte de Fernando e dos modelos presentes no desfile está cumprindo seu papel conscientizando, inspirando e abrindo os olhos de muitas pessoas. Pelo menos abriu os meus.”

Entrei em contato com Fernando há alguns meses atrás, como meu sonho é ser estilista, queria muito algumas respostas acerca do mundo da moda e questões pessoais, ele foi muito simpático e respondeu todas as minhas perguntas! Então, há algumas semanas atrás tive a ideia e a permissão de transformar a conversa em uma entrevista. Confiram aqui!

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