“Cinema pra mim é uma necessidade fisiológica”. Artista aspirante: Calebe Lopes

Antes de escrever essa matéria fiz questão de assistir vários curtas do Calebe, e para mim é primordial dizer que o trabalho dele me atraiu bastante. Esse é o tipo de arte visual que faz meus pensamentos fluírem. Seus videos são muito bem editados, os roteiros são intensos e ao mesmo tempo carregam um simplicidade e ironia deliciosa.

Assistam esse curta sobre o encontro de uma violinista surda, um estudante mudo e uma fotógrafa cega… O belos desses curtas está na forma como eles dispertam emoções sem apelar para uma produção encharcada de efeitos especiais e roteiros apelativos.

Calebe Lopes, nosso artista aspirante dessa semana, tem 19 anos. Largou o  curso de Comunicação Social na UFBA e optou se dedicar totalmente ao cinema. Seu envolvimento com a sétima arte começou ainda criança porém, foi aos 16 anos ocorreu o estopim de início da sua carreira. Ele ganhou a categoria audiovisual no Encontro de jovens Cientistas. Hoje ele trabalha fixo em uma produtora premiada e também por conta própria, em diversos serviços que envolvem cinema/filmagens/edição de vídeo.

Confiram a entrevista com ele. Falamos um pouco sobre as dificuldades na área, suas aspirações e seu trabalho.
Admito que esta longo, mas vale apena. Vamos apoiar os artistas da nossa terra antes de valorizar apenas o que vem de fora!

Umolharalternativo:Como é trabalhar com Cinema no Brasil? Como está o mercado?

Calebe Lopez: Bom… É um desafio hahaha o mercado existe, mas não tem a atenção que merece por parte das autoridades. Falta incentivo do governo, então quem se propõe a trabalhar com isso tem que ser na raça. O mercado de curtas-metragens é raso, a gente só consegue espaço em festivais. Já o mercado de longas, principalmente no quesito distribuição, enfrenta problemas mais sérios, onde a maior parte do público só tem acesso a certo tipo de filmes(os chamados produtos da Globo Filmes são a predominância) e muita coisa não tem o alcance que merece. É uma pena, porque temos potencial. Muito potencial MESMO, como qualquer outro país. Mas o fato de não termos a valorização merecida impede que essa industria cresça.

Umolharalternativo:Quais são as dificuldades que você enfrentou até agora? E que dica você daria pra quem está começando?

Calebe Lopez: A maior dificuldade é distribuição, quando se trata de filmes independentes. No meu trabalho na produtora, a dificuldade é mesmo a valorização profissional, às vezes demora pra o público entender o tipo de produto que você oferece e o quanto aquilo vale. Voltando ao cinema independente, a questão maior é mesmo a distribuição. Você faz um filme, gasta tempo, dinheiro e amigos, finaliza sua produção e obviamente quer que aquilo chegue ao maior número de pessoas possível. Mas como fazer aquilo chegar ao público? Atualmente festivais, vendas para canais de TV(mas isso é mais facilitado quando se passa por bastantes festivais) e algumas plataformas de distribuição online que estão surgindo, como a Sétima.tv ou o Estúdio de Serviços para Cinema. Meu novo curta foi selecionado nesse último, e está sendo “distribuído” assim. A dica pra quem tá começando é FAÇA. Câmera na mão, ideia na cabeça. Não espere câmera perfeita, ideias perfeitas. Junte seus amigos, pegue seu celular e faça. E estude cinema. Não vá pelo caminho mais fácil de fazer qualquer coisa de qualquer jeito e dizer que arte é subjetiva hehehe Veja muitos filmes. Estude os grandes mestres. Veja os clássicos. Inspire-se. Junte bagagem teórica. E aplique. Faça filmes.

Umolharalternativo: Como foi ganhar prêmios e começar tão jovem nessa área?

Calebe Lopez: Ah… Animador! Haahaha eu me apaixonei pelo cinema bem novo, quando fui ver Vida de Inseto nas telonas, tinha 3 aninhos de idade. Cresci vendo filmes e tentando aprender mais daquela arte. Aos 13 anos, fiz meu primeiro curta, uma animação super tosca toda desenhada no Paint hahahaa pra fazer ela eu pesquisei muito e assisti muito. Foi ali que considero o começo do meu estudo aprofundado no cinema. Desde então foram sites e mais sites, livros e mais livros, filmes e mais filmes assistidos. Em 2012, com 16 anos, resolvi fazer um curta de 2 minutos pra me inscrever no III Encontro de Jovens Cientistas, e acabei vencendo a categoria audiovisual com um curta doido que misturava filmagens com animação stop-motion e referências ao clássico alemão Metropolis, do Fritz Lang. Quando ganhei a categoria, me animei total. Decidi que ia fazer muitos outros curtas e sempre inscrever. E fui fazendo. Na escola mesmo, reunia os colegas que gostavam de atuar, de filmar, e mãos à obra! Aí saíram vários curtas que foram participando de vários festivais e mostras, aqui na Bahia e em outros estados. Já tive curta exibido em SP, RJ, BSB e até no Amapá! Eu ia doidão estudando cinema em casa e produzindo com os amigos, de maneira totalmente autodidata e amadora/independente. Eu não imaginava que esses curtas iriam me garantir o primeiro emprego, no qual estou até hoje. O portfolio apresentado foi o desses curtas, e deu super certo! Hoje tenho a realização de trabalhar profissionalmente com filmagens e edição e também fazer meus filmes por fora, de maneira independente. E com apenas 19 anos! Hahaha 🙂

Umolharalternativo: Me fala sobre seus objetivos! Seus sonhos!

Calebe Lopez: Olha, eu por incrível – e contraditório – que pareça não tenho tantos objetivos não. Quero conseguir trabalhar com o que gosto de modo que possa viver bem, satisfeito. Quem trabalha com o que gosta nunca trabalha. Esse, digamos, é meu objetivo. Fora isso existem muitos objetivos pessoais, conquistas e alvos da vida mesmo. Mas profissionalmente, não tenho grandes pretensões. Cinema pra mim, é uma necessidade fisiológica. Seja… Trabalhando em outra área nada a ver, mas sempre filmando. Seja fazendo filme publicitário ou de casamento. Seja até mesmo praticando como hobby, o que não tenho a pretensão de fazer é deixar de filmar, isso posso assegurar. E fazer meus curtas. O máximo que eu puder fazer, farei. Câmera na mão, ideia na cabeça. Sempre!

Umolharalternativo:Qual a sua proposta para salvador?

Calebe Lopez: Olha, a proposta pra Salvador tá mais pra sonho, desejo… Ou esperança. Eu quero ver o povo fazendo filmes e quero ver o povo assistindo esses filmes feitos pelo próprio povo. Há alguns anos, quando comecei a me inteirar a respeito da produção audiovisual aqui na Bahia, eu não imaginava o tanto que produzimos. Salvador produz bastante! Cachoeira também! Pessoal de Feira, Eunápolis. Tem muita gente fazendo cinema independente, seja com inventivo do governo ou não! Minha proposta, é simplesmente fazer minha parte. Produzir, sabe? Alimentar essa produção daqui, ser parte dum “Novo Cinema Novo” que pode sim surgir aqui na Bahia. Quero participar desse negócio, quero fazer filmes e exibir pra baianos primeiro, posteriormente para o país – ou, quem sabe, o mundo? Então seria isso… Minha vontade é ver esse povo produzindo e exibindo seus filmes.

Umolharalternativo:Qual o seu curta preferido? O como foi o processo de crianção para ele?

Calebe Lopez: Sou todo confuso! Olha, é difícil dizer. Cada um tem seu valor, sabe? Tem uns que eu detesto, que só não excluo da face da Terra porque acho importante ter registro. O “Inspiração” tem um valor enorme, foi o que fiz com 16 anos e ganhei o Jovens Cientistas. Aquilo ali me despertou totalmente pra o que eu poderia fazer. Tem o “Era Uma Vez Na Bahia”, que foi exibido em 3 estados através da Seleção Oficial da Mostra do Filme Livre, que é um festival lindíssimo que temos no país, e o que mais gosto. Tem o Tarde de Maio, que foi meu primeiro curta “sério”,co-dirigido por um amigo o Alan Roger, e deu um trabalhão pra fazer. Eu acho que escolheria o Inspiração, por ser o primeiro, o início de tudo. Foi o estopim, sabe? E foi uma coisa tão simples! Juntei dois amigos. Um seria ator, outro diretor de fotografia e câmera. Peguei um robôzinho que eu tinha aqui, que andava a base de pilha. Passamos uma tarde gravando, mais ou menos umas 3 horas de filmagens. Na hora de filmar o robô, a bateria tava fraca. Fizemos stop-motion e ficou clássico! No fim, editei, deixei com 2 minutos e inscrevo no festival. Quando ganhei, saí de lá me sentindo o novo Kubrick!

Umolharalternativo:Obrigado Calebe. De verdade! Adorei ler suas respostas e espero que conheçam mais seu trabalho e o apreciem!

Tem mais alguns minutos para apreciar outro curta? Então confiram. Vale apena!

Eai, Quem vai querer conferir o trabalho dele?

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Page do estúdio aqui!

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